Hoje passei a tarde em Vigário Geral. Os familiares das vítimas da chacina organizaram um culto ecumênico em memória dos seus mortos. Uma cerimônia simples -como é simples tudo o que é de verdade- e comovente demais. Falou um padre, falou um pastor, falou a Iracilda, que perdeu marido e filha naquele agosto de 93.
Estavam lá os sobreviventes e os amigos que os acompanham desde sempre: mães que perderam filhos assassinados (a Valéria de Brasilia e a Vera Regina) o promotor do caso e hoje desembargador, José Muiños Pinero, o promotor Shultz, a advogada Cristina Leonardo, o coronel da PM Walmyr Alvez Brum, o escritor José Louzeiro, o William da Rocinha, e o cineasta que está preparando um documentário sobre a chacina.
17 anos depois, muitos desses familiares já desapareceram, sem ver a justiça ser feita e sem receber a indenização que o Estado lhes deve! Vigário Geral é o retrato do abandono a que são relegadas as vítimas no nosso país.
Sobre uma mesa, 21 desses vasos de flor, que correspondiam aos 21 mortos. Cada um deles trazendo o nome do chacinado. A Vera, que perdeu toda a família no massacre, tinha 8 vasos a receber: ficou com um, deu o que correspondia ao seu pai para o filho, que era muito apegado ao avô, e distribuiu os outros entre os amigos.
A mim coube esse: “de mãe para mãe”, ela disse. E me deu o que correspondia a sua mãe. No papel está escrito: Jane Silva dos Santos – Dona de casa.
A resistencia e a garra do pessoal de Vigário, em sua luta incansável por justiça e paz, é um exemplo e um orgulho para todos nos!
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